quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

"Vá em frente, conte. Estou contigo"





Acordei e logo em seguida o telefone tocou. Era Amanda. Ela disse que queria conversar. Ok. Eu concordei. Levantei bem rápido para me lavar e ajeitar as coisas. Minha mãe não gostou muito da ideia dela vir aqui, mas concordou. Enquanto arrumava a cama, lembrei de um episódio que aconteceu a última vez que Amanda veio aqui em casa... Ela não sabia que eu era cristã e enquanto olhávamos o Facebook, ela viu uma postagem de uma menina que dizia “Eu escolhi esperar a pessoa certa, escolhi me guardar”, então no exato momento que ela viu, gargalhadas rolaram soltas pelo ar, uma atrás da outra, sem parar. Eram como se ela estivesse vendo aqueles vídeos de Stand Up que meu irmão olha.
Quando ela conseguiu parar, muito tempo depois, pedi o que havia acontecido. Então em meio aos risos ela diz achar ridículas essas pessoas “crentes” que ficam se guardando, que não podem se divertir e nem fazer nada. Eu fiquei enjoada, parecia haver bichos voando no meu estômago. Ela não sabia. Como assim ela não sabia? Eu lembrava perfeitamente de ter contado para... Ah não... Não foi a ela que eu contei. Meu Deus! Eu não sabia o que fazer e nem como falar. Pensei em explicar que era uma escolha que eu havia feito há muito tempo, que mesmo assim podíamos continuar amigas, mas então ela interrompe meus pensamentos e fala: EU NUNCA SERIA AMIGA DE UMA PESSOA DESSAS! Isso já deixava claro que eu deveria descartar a opção acima. Eu não conseguia pensar em mais nada, se eu contasse para ela iria perder sua amizade e toda a escola iria ficar sabendo. Eu precisava tomar uma decisão. Enquanto pensava, ela ia falando de várias garotas da escola que eram cristãs. Havia tantas que nem eu mesma sabia. Fiquei cuidando se ela falaria o nome de alguma de minhas amigas e nada. Nenhuma. Eu tinha que tomar uma decisão. Contar a ela o que eu lutei por tantos anos para esconder de todos ou deixar passar. Nesse mesmo instante um vento entrou pela janela e eu senti algo diferente. Era como se alguém tivesse me tocado e dito “Vá em frente, conte. Estou contigo”. Nesse exato momento minha boca se abriu e eu comecei a contar tudo para ela, sem parar. Ela tentava falar em meio as minhas pausas, mas eu não deixava. Falei de mim, do amor que eu sentia em ir à igreja, falei que muito tempo eu escondi por medo do que os outros iam falar quando na verdade o que importa é o que Deus acha a meu respeito. Falei do amor de Deus para com ela, de como ele poderia mudar a vida dela. Falei tudo. Até que minhas palavras acabaram e eu percebo que ela está me olhando um pouco assustada. Ela diz que não acredita no que ouviu e que nós não poderemos mais ser amigas. Eu não sei o que lhe falar. No meio do silêncio ela pega suas coisas e sai correndo do meu quarto. Em seguida minha mãe entra no quarto e pede o que aconteceu. Eu só consigo responder “Eu contei”. Os olhos da minha mãe se enchem de lágrimas e ela corre para me dar um abraço.

Depois desse dia, nunca mais falei com a Amanda, até hoje. Estou tão nervosa que mal consigo estender o lençol na cama. Então ouço a campainha tocar. Era ela. Meu coração dispara. Minha mãe atende e diz para ela que eu estou no meu quarto. Quando ela abre a porta nós nos olhamos por algum tempo, um tempo que parece uma eternidade. Então ela fala “me conta mais sobre teu Deus?”. Meus olhos enchem de lágrima e eu só consigo pensar em como Deus é maravilhoso, ele nunca me deixou só. Eu corro para dar um abraço nela e só consigo dizer “Te contarei tudo o que quiser”.

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